ina_frenteA concentração deu-se no intervalo das 10:00 e começou por iniciativa dos alunos, aos quais se juntaram professores, pais e funcionários e em causa está uma decisão do Ministério da Educação sobre os contratos de associação com as escolas privadas e cooperativas.

Na terça-feira o Governo anunciou que não vai abrir turmas de início de ciclo em 39 colégios, o que representa uma redução de 57% no financiamento a novas turmas.

Em declarações à agência Lusa, a diretora pedagógica do INA, Francisca Dias, referiu que este instituto “ainda não sabe em quanto e como será afetado”, acusando o Governo “falta de diálogo e de transparência”.

Questionada sobre como é que o INA está a gerir o arranque do próximo ano letivo, a responsável apontou que “tudo está a ser preparado normalmente como nos outros anos”.

“Não concebemos um plano B porque não temos plano B mesmo. Temos um contrato plurianual por três anos. Do outro lado [referindo-se ao Estado] há má-fé, quando deveria estar uma pessoa de bem”, referiu Francisca Dias.

O contrato de associação assinado com o Governo no ano passado previa que o INA viesse a acolher sete turmas no 5.º ano, seis no 7.º e quatro no 10.º.

Este colégio fica localizado nas Caldas da Saúde, exatamente no limite entre Santo Tirso e Famalicão, acolhendo alunos destes concelhos mas também da Trofa, Guimarães, Braga e Paços de Ferreira.

Quanto à concentração desta manhã – que se soma a ações levadas a cabo neste colégio como um acampamento junto à escola ou um cordão humano – Gonçalo Sá, da Associação de Estudantes do INA, afirmou tratar-se de um “protesto espontâneo e pacífico”, procurando vincar que os alunos estão a marcar posição sobre esta matéria “de forma voluntária”.

“Dizem que os alunos estão a ser instrumentalizados e não é verdade. Vamos continuar esta luta porque precisamos de saber o que se vai passar”, disse o responsável.

Os possíveis cortes em colégios já não afetarão Gonçalo Sá, de 18 anos e a frequentar o 12.º ano, mas o aluno mostrou-se preocupado com uma irmã que já frequenta a escola e com um terceiro irmão que a iria frequentar.

“Isto cria muita instabilidade nas famílias”, disse o aluno, uma opinião partilhada pela presidente da Associação de Pais, Sara Azevedo, que confirmou o facto de muitos encarregados de educação telefonarem ou enviarem emails a fazer perguntas sobre o tema.

“Nota-se uma preocupação muito grande. É uma injustiça um corte radical com escolas, como é esta casa, que se abriram à comunidade para fazer face a lacunas que o Estado não estava a compensar. No caso do INA é injusto vedar-se o acesso a um projeto educativo diferente e abrangente”, disse Sara Azevedo.

O sentimento de instabilidade estende-se ao corpo docente e não docente, como afirmou à Lusa Leonor Regueiras, professora de Educação Física no INA há 33 anos, que aproveitou para pedir ao Governo que “ouça os conselhos do Presidente da República, que pediu serenidade e diálogo”.

“Os nossos dirigentes e governantes estão a criar alarme social, quando podiam ter conversado e criado soluções de consenso. Será que vão ouvir o presidente da República? O problema não é a escola, são os pais, os alunos, os professores e funcionários. Eu daqui a dois meses não sei se tenho emprego”, disse Leonor Regueiras.

Com faixas amarelas a cobrir os portões da escola e colocadas na fachada do edifício principal, a comunidade escolar do INA prometeu hoje “continuar a luta”, como afirmou o responsável da Associação de Pais, para mostrar, disse por sua vez a diretora, “que está de pé”.

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