Segundo o Le Monde, um dos principais receios prendia-se com o possível impacto que a medida teria nos sistemas municipais de gestão de resíduos. O argumento económico era o mais relevante: a retirada das garrafas de plástico dos circuitos tradicionais de recolha privaria os municípios de uma das fracções mais valiosas dos resíduos, apesar dos investimentos realizados nos últimos anos em centros de triagem e infra-estruturas de recolha selectiva.

A oposição tornou-se particularmente visível no final de Junho. Segundo a AFP, representantes das autarquias abandonaram uma reunião promovida pelo Ministério da Transição Ecológica, e vários responsáveis classificaram a proposta como um “absurdo”, acusando o executivo de promover uma operação de greenwashing.

Perante esta pressão, o Governo acabou por recuar na sua intenção de generalizar o sistema a todo o território francês. Numa notícia do La Croix, baseada num comunicado oficial do Governo, o ministro delegado para a Economia Circular, Mathieu Lefèvre, afirmou que o executivo optou por uma abordagem “territorializada”, justificando a decisão com a necessidade de não penalizar municípios que já apresentam bons resultados na recolha de embalagens.

Entre os opositores da medida esteve também Corentin Duprey, presidente do Syctom, uma das principais entidades de gestão de resíduos da região parisiense. Citado pela AFP, Duprey argumentou que o exemplo alemão, frequentemente apresentado como referência neste tipo de sistemas, não impediu o aumento da produção de plástico naquele país.