Não é de agora que os interesses privados da empresa Edilage têm sido colocados à frente dos interesses da população de Monte Córdova.

O Bloco de Esquerda, desde o início do processo de reativação e expansão da pedreira por parte desta empresa de construção, tem denunciado a apatia das instituições e, em particular, a inação, ou consentimento por omissão,  da Câmara Municipal de Santo Tirso.

No mais recente episódio de impunidade e de abuso do interesse privado sobre o interesse público e coletivo, a Edilage decidiu encerrar um caminho público, alegando que o mesmo lhe pertence. Este facto foi noticiado pela Lusa, após denúncia do Movimento Cívico que luta pela sua comunidade.

Não aceitamos que assim seja. Condenamos que a Câmara Municipal e as entidades responsáveis nada façam, quer para punir e travar estas investidas lesivas para a população e para os ecossistemas, quer para impedir de imediato a desafetação deste caminho de utilidade pública, que não pode ser feita de forma passiva e sem consequências para Edilage.

Monte Córdova é uma freguesia com cerca de quatro mil habitantes, onde muitas pessoas vivem perto da pedreira. A população recorda bem os impactos da antiga exploração: explosões que provocaram fissuras nas casas, ruído constante, poeiras no ar, pressão sobre os recursos hídricos e efeitos negativos na saúde pública.

Recordamos ainda que existem indícios de que a empresa poderá avançar com operações ligadas a derivados de cimento, o que agravaria ainda mais os riscos ambientais, sociais e sanitários. A eventual retoma de atividades extrativistas e industriais junto da nascente do rio Leça, um importante curso de água da região, seria um autêntico crime ambiental, anacrónico e profundamente desleal para com a população de Monte Córdova.

A Câmara Municipal tem o dever político de intervir e de se manifestar publicamente sobre este caso. Deve assumir uma posição clara contra esta ameaça ambiental e social, em vez de manter posicionamentos ambíguos e confortáveis que apenas beneficiam interesses privados. É fundamental que o município utilize todos os instrumentos ao seu dispor para travar a reativação e expansão desta pedreira, protegendo a população e o território.

Recordamos também que a autarquia tem um protocolo de preservação do rio Leça, juntamente com outros municípios. É, por isso, inaceitável que se mantenha inerte quando a própria nascente do rio está em risco. Se, em 2025, a Câmara Municipal e o presidente Alberto Costa foram capazes de usar a sua influência política em defesa do hospital, então também podem e devem fazer muito mais por Monte Córdova e pela sua população.

Um caminho público, utilizado pela população há vários anos, não pode agora ser encerrado, por livre e espontânea vontade, por uma empresa privada para fins que nem deveriam ser consentidos pelas entidades responsáveis.

Por fim, destacamos e associamo-nos à tomada de posição da autarca Andreia Correia, que admitiu o recurso à usucapião, figura jurídica que prevê a aquisição de um bem por quem o possui e utiliza de forma prolongada no tempo.

O Bloco de Esquerda está ao lado da população e do Movimento Cívico desde o início. Ainda no decorrer do mandato anterior, foi o primeiro partido a levar este tema à Assembleia Municipal, colocando questões diretamente ao presidente da Câmara. Este é um assunto que não esquecemos e que merece a nossa maior indignação e atenção.

Estamos onde sempre estivemos: ao lado da população e do ambiente.

Comissão Coordenadora Concelhia de Santo Tirso,