O braço de ferro judicial em torno do alegado uso indevido de viaturas municipais em Santo Tirso ganhou um novo capítulo. O Ministério Público (MP) avançou com um recurso para o Tribunal da Relação do Porto, contestando a decisão do Tribunal de Matosinhos de não levar a julgamento o atual presidente da Câmara, Alberto Costa, e dois ex-vereadores.

Em causa estão suspeitas de que os autarcas utilizaram carros da autarquia para fins estritamente pessoais — como idas ao supermercado, restaurantes e viagens de lazer — entre julho de 2017 e abril de 2019.

O caso chegou a uma fase de decisão instrutória a 11 de fevereiro, mas o desfecho não foi o esperado pela acusação:

  • A Decisão do Juiz: Decidiu pela não pronúncia (não levar a julgamento) dos arguidos. O magistrado justificou a decisão com a “insuficiência de indícios”, afirmando que, perante as provas atuais, seria mais provável uma absolvição do que uma condenação.
  • A Posição do MP: O procurador não desarma e mantém que houve um “plano previamente gizado” para usar os bens públicos como se fossem privados. Como prova, o processo destaca dezenas de registos da Via Verde com passagens em feriados, fins de semana e madrugadas.

Os Envolvidos e as Acusações

Arguido Cargo Atual / Contexto Crimes Imputados pelo MP
Alberto Costa Presidente da Câmara de Santo Tirso (PS) Abuso de poder, Peculato e Peculato de uso.
José Pedro Machado Pres. da Junta de Freguesia de Santo Tirso Abuso de poder, Peculato, Peculato de uso e Participação económica em negócio.
Tiago Araújo Ex-vereador (fora das listas atuais) Abuso de poder, Peculato e Peculato de uso.

O MP recorda que situações semelhantes levaram já à condenação de outros autarcas na região, citando o exemplo de Eduardo Vítor Rodrigues, em Gaia.

O processo segue agora para os juízes desembargadores da Relação do Porto, que terão a última palavra sobre se Alberto Costa terá, ou não, de se sentar no banco dos réus.